sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Trabalho, Ciência, Tecnologia e Cultura: Um Olhar Sobre os Pilares da Nova Educação no Ensino Médio

Se no passado o ensino médio tinha caráter meramente delimitador de categorias sociais, ferramenta da ideologia elitista de fragmentação cultural da sociedade,  como visto aqui: “O ensino secundário, propedêutico, destina-se à formação das elites condutoras” nas palavras do ministro da educação em 1942, hoje podemos dizer que a mesma não se impõe em nenhuma das opções.
O fato de existir mais de uma opção de ensino médio apenas tira do governo a responsabilidade pelo futuro do estudante, alegando que ele é quem escolhe a modalidade de ensino que quer participar. Na prática a oferta da opção Ensino Médio Regular tira, de certa forma, a possibilidade de formação profissional mais acentuada que o Ensino Médio Profissionalizante propõe.

A educação do país, no entanto, mostra que superar visões jurássicas de modelo erroneamente padronizado, é algo recorrente, a exemplo cita-se a cultura da repetição, que ainda permeia nos dias atuais, mas que podemos vê-la “caindo”, e caindo por prescrição da alta e não por reflexão da classe estudantil e docente.
Comparando, vemos que a proposta real das DCNEM é a volta do ensino meramente filosófico (quase unidisciplinar), embora voltado ao trabalho, ciência, cultura e tecnologia. O que forma para a vida não necessariamente forma para o mundo do trabalho, pois a busca de significados, se dá na maioria das, de forma isolada, particular. A padronização do conhecimento está em jogo, diante das possibilidades de ganho de significados e posicionamento do conhecimento pragmático que se impõe aqui. Quem disse que não retrocedemos e quem disse que isso não é necessário, as vezes? Enquanto o importante, para as lideranças, é que a ideia pareça boa, soe moderna aos ouvidos, pensamos que durante dezenas de anos a máquina prescritora da fórmula da educação inchou as categorias do conhecimento. E isso distanciou a educação do seu objetivo. Pelo menos dos atuais. Seria essa guinada na organização do saber uma guinada apenas política?
A seleção cultural se dá pelas relações de poder na escola ou em detrimento de sua abrangência potencial. Então de quem e qual intenção no plano atual? Do educador propriamente dito? Talvez somente os fins da educação identificarão os sujeitos, pois os meios são necessariamente obscuros e sua concepção. Obscuros porque a massa docente e discente ainda são incapazes de irradiar nas altas cúpulas suas ideias de classe.
É na convivência com os sujeitos envolvidos no processo educativo que podemos reconstruir a relação do fazer pedagógico a partir de uma concepção mais ampla, atribuindo sentido e significado para a nossa ação educativa.
A centralidade da educação está na lida do estudante com o saber, com mais atenção ao sujeito desta relação. Os estudantes são os mediadores do conceito com sua aplicação. Esta é o próprio trabalho. E este por sua vez é a forma com que mediamos com o produto dos conceitos, mediante orientação.
As técnicas de produção tradicionalizadas ao longo da história precisão de sistematização pessoal para tornar o trabalho dignamente científico e o mediador um manipulador ciente.
Produzir com a ciência da razão pela qual se produz e como se produz é altamente benéfico para o ser humano, tendo em vista que o mesmo avançará pelas técnicas e se tornará mais ativo pela sua reflexão. A união destes parâmetros denota a própria tecnologia. A manutenção e aprimoramento das técnicas e ideologias sobre a mesma é que implica na cultura.
As DCNEM, embora de maneira passiva e prescritiva, têm feliz acerto ao defender a visão colaborativa mas não acumulativa destes quatro pilares, com o objetivo de alcançar atividade e não somente significado para o aprendizado fragmentado do conceito. 

Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio. 
Baseado no Material do Caderno 3. 
Por Leomar Oliveira

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