Se no passado o ensino médio tinha
caráter meramente delimitador de categorias sociais, ferramenta da ideologia
elitista de fragmentação cultural da sociedade, como visto aqui: “O ensino secundário,
propedêutico, destina-se à formação das elites condutoras” nas palavras do
ministro da educação em 1942, hoje podemos dizer que a mesma não se impõe em
nenhuma das opções.
O fato de existir mais de uma opção
de ensino médio apenas tira do governo a responsabilidade pelo futuro do
estudante, alegando que ele é quem escolhe a modalidade de ensino que quer
participar. Na prática a oferta da opção Ensino Médio Regular tira, de certa
forma, a possibilidade de formação profissional mais acentuada que o Ensino
Médio Profissionalizante propõe.
A educação
do país, no entanto, mostra que superar visões jurássicas de modelo
erroneamente padronizado, é algo recorrente, a exemplo cita-se a cultura da
repetição, que ainda permeia nos dias atuais, mas que podemos vê-la “caindo”, e
caindo por prescrição da alta e não por reflexão da classe estudantil e docente.
Comparando,
vemos que a proposta real das DCNEM é a volta do ensino meramente filosófico
(quase unidisciplinar), embora voltado ao trabalho, ciência, cultura e
tecnologia. O que forma para a vida não necessariamente forma para o mundo do
trabalho, pois a busca de significados, se dá na maioria das, de forma isolada,
particular. A padronização do conhecimento está em jogo, diante das
possibilidades de ganho de significados e posicionamento do conhecimento
pragmático que se impõe aqui. Quem disse que não retrocedemos e quem disse que
isso não é necessário, as vezes? Enquanto o importante, para as lideranças, é
que a ideia pareça boa, soe moderna aos ouvidos, pensamos que durante dezenas
de anos a máquina prescritora da fórmula da educação inchou as categorias do
conhecimento. E isso distanciou a educação do seu objetivo. Pelo menos dos
atuais. Seria essa guinada na organização do saber uma guinada apenas política?
A seleção
cultural se dá pelas relações de poder na escola ou em detrimento de sua
abrangência potencial. Então de quem e qual intenção no plano atual? Do
educador propriamente dito? Talvez somente os fins da educação identificarão os
sujeitos, pois os meios são necessariamente obscuros e sua concepção. Obscuros
porque a massa docente e discente ainda são incapazes de irradiar nas altas
cúpulas suas ideias de classe.
É na
convivência com os sujeitos envolvidos no processo educativo que podemos reconstruir
a relação do fazer pedagógico a partir de uma concepção mais ampla, atribuindo
sentido e significado para a nossa ação educativa.
A
centralidade da educação está na lida do estudante com o saber, com mais
atenção ao sujeito desta relação. Os estudantes são os mediadores do conceito
com sua aplicação. Esta é o próprio trabalho. E este por sua vez é a forma com
que mediamos com o produto dos conceitos, mediante orientação.
As técnicas
de produção tradicionalizadas ao longo da história precisão de sistematização
pessoal para tornar o trabalho dignamente científico e o mediador um
manipulador ciente.
Produzir
com a ciência da razão pela qual se produz e como se produz é altamente
benéfico para o ser humano, tendo em vista que o mesmo avançará pelas técnicas
e se tornará mais ativo pela sua reflexão. A união destes parâmetros denota a
própria tecnologia. A manutenção e aprimoramento das técnicas e ideologias
sobre a mesma é que implica na cultura.
As DCNEM,
embora de maneira passiva e prescritiva, têm feliz acerto ao defender a visão colaborativa
mas não acumulativa destes quatro pilares, com o objetivo de alcançar atividade
e não somente significado para o aprendizado fragmentado do conceito.
Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio.
Baseado no Material do Caderno 3.
Por Leomar Oliveira

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